Qual a melhor forma de avaliar alunos dentro da sala de aula?

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As formas de avaliar alunos na sala de aula, no Brasil, são sempre um assunto polêmico. Priorizar o modelo tradicional de avaliação — somativo ou classificatório —, cria um ambiente competitivo, e o resultado são alunos desmotivados, que estudam em busca de boas notas, quando o ensino poderia estar desenvolvendo muito mais do que isso.

No post de hoje, falaremos um pouco mais sobre métodos de avaliação de alunos, elucidando pontos do modelo quantitativo/tradicional e dando exemplos de alternativas que direcionam para um esquema qualitativo, fugindo do modelo tradicional. Acompanhe!

Aprenda com as falhas do modelo tradicional

O modelo tradicional de avaliação concentra-se no aspecto quantitativo, no qual a medição do aprendizado é balizada por mecanismos de transmissão e memorização das informações transmitidas. O estudante é visto como um ser passivo e incapaz de produzir conhecimento. Consequentemente, o professor é colocado como detentor desse conhecimento, o que causa um distanciamento do aluno e um engessamento do processo educativo.

O aprendizado por meio de um processo quantitativo, se converte em memorização que visa alcançar êxito nas provas ou, ao menos, obter a aprovação. O sistema educacional, assim concebido, se refere ao baseado no esquema fordista, que implementado na linha de produção de fábricas, também influenciou em outros aspectos da sociedade, como o educacional.

Dessa maneira, a avaliação do aprendizado foi automatizada e definida, de maneira rigorosa, em números e conceitos e esvaziada de seu objetivo, que é produzir mudanças reais e benéficas na vida do indivíduo. Esse modelo tradicional de avaliação vem sofrendo muitas críticas já há algum tempo.

Atualmente, se busca compreender o aluno como sujeito ativo e transformador e, para que isso ocorra, é necessário repensar o modelo avaliativo, enfatizando aspectos qualitativos para criar uma dinâmica de troca de experiências e conhecimentos em sala de aula.

Reflita a construção da sociedade na avaliação dos alunos

Ao longo dos anos, a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional) avançou e mudou a concepção de avaliação, determinando que a avaliação qualitativa prevalece sobre os aspectos quantitativos. Além disso, segundo a Lei, a avaliação do desempenho dos alunos deve ser contínua e cumulativa — não são só com provas finais que servem como base da avaliação.

É preciso compreender que, muito mais do que reger o dia a dia da escola, esta concepção, se bem praticada, contribui para a construção de uma sociedade em que a cooperação impera sobre a competição. O ambiente escolar deve ser terreno fértil para a formação da autonomia dos alunos.

Se antes o foco estava em ensinar, hoje ela deve estar no aprender e em como garantir que todos tenham acesso a esse direito básico.

Valorize atividades fora da sala de aula

Considerar atividades desenvolvidas foras da sala de aula, além de motivador, pode ser a oportunidade de fazer com que os alunos façam a ponte entre o que foi aprendido com a realidade.

Atividades de voluntariado podem servir como nota para estudos sociais, história ou a matéria que melhor corresponder à atividade exercida, assim como um diário de viagem. Um torneio esportivo também pode valer pontuação em educação física, por exemplo.

Aplique a avaliação formativa

Essa terminologia foi usada pela primeira vez por Michael Scrivem, em 1967, no livro Metodologia da Avaliação. A avaliação formativa é pautada na observação sistemática, com o fim de melhorar o processo de aprendizagem de forma constante.

Faça a autoavaliação

Um dos princípios desta atividade metodológica é a autoavaliação, que pode ser feita de forma escrita ou oral, com os alunos reunidos em grupo. Periodicamente, estimule os alunos a reverem os assuntos estudados para refletir se realmente aprenderam e se a matéria está consolidada.

Ao avaliar se os objetivos foram alcançados ou não, o aluno vê sentido no que está aprendendo, além de refletir sobre suas próprias dificuldades. Este é o ponto principal: em vez de apontar problemas, é preciso identificar necessidades, para, assim, superá-las. Já vivenciou como é gratificante quando nossos alunos conseguem realizar atividades que antes não eram capazes?

É importante deixar claro para os estudantes que não haverá nenhuma punição por uma avaliação ruim, para que possam ser sinceros. Com esta atividade, documente as conclusões para traçar novas estratégias ou aprimorar as que já são utilizadas.

Perceba a importância da diversidade de instrumentos

Outro ponto-chave da avaliação formativa é a diversidade de instrumentos em busca do aprimoramento das estratégias utilizadas — seminários, participação em debates, lista de exercícios, estudos dirigidos, gamificação e atividades culturais, como recitais e concursos de danças.

Registros oficiais dos resultados das atividades realizadas ao longo dos meses permitirão que você descubra a melhor maneira de incentivar o desenvolvimento da turma. Assim, será possível documentar a evolução e ajudar outros professores, que poderão usar esse documento como fonte de informações.

Mas é preciso estar atento para a melhor forma de avaliar cada conteúdo, assim como para os diferentes tipos de competência. Você estará prejudicando a avaliação de um aluno que tenha dificuldade de se expressar oralmente se a apresentação de seminários for a principal avaliação, por exemplo.

Utilize elementos relevantes do cotidiano

O aprendizado e a sua avaliação devem fazer sentido para o estudante e não ser visto como uma obrigação para se atingir a aprovação final. Trazer elementos do cotidiano para avaliar alunos na sala de aula conecta o teórico ao prático, estabelecendo a noção que determinada avaliação faz sentido no “mundo real”.

O educador pode, inclusive, fazer um levantamento das profissões e atividades dos pais e parentes próximos dos estudantes e mesclar as avaliações às atividades correlatas às profissões daqueles. Se um determinado parente é farmacêutico ou cozinheiro, em uma avaliação de química é possível trazer elementos dessas profissões para serem analisados. O mesmo ocorre, no caso de um parente veterinário ou um parente advogado para disciplinas diversas, como biologia, história e português.

E, obviamente, o modelo de avaliação deve fugir de simples provas com notas, como já dito anteriormente. Experimentos e simulações podem ajudar na avaliação do aluno, que deve pautar em um avanço a partir dele próprio e não em relação aos outros estudantes.

Evidencie a interdisciplinaridade

O aprendizado deve levar em conta a construção do sujeito enquanto agente transformador do mundo a sua volta. Esse mundo está todo conectado por meio de distintas áreas do conhecimento. A descoberta da pólvora, por exemplo, tem uma história complexa, que impactou em outras descobertas químicas e físicas, em transformações geológicas, em desenvolvimento urbano e gerou distopias literárias sobre violência e avanço tecnológico.

Avaliações interdisciplinares são mais estimulantes e fazem mais sentido para a esfera educacional em si. Os conhecimentos trabalhados em sala de aula partem do cotidiano, que é multidimensional. Dessa maneira, também as avaliações desenvolvidas em sala de aula devem possuir esse caráter amplo e conectado.

Uma avaliação interdisciplinar pode ser realizada em uma excursão a uma cidade que tenha uma zona rural próxima. Os alunos podem pesquisar a história da cidade a partir de lugares de memória, de testemunho, analisar as transformações geográficas a partir do desenvolvimento da cidade, fazer coletas de água de um rio próximo para investigação laboratorial de poluentes no laboratório de química e coletar amostras do reino animal para a aula de biologia, também tendo em vista o impacto urbano gerado nas proximidades.

As avaliações podem ser feitas estimulando a cooperação entre os alunos e analisando a capacidade de relacionar as diferentes áreas do conhecimento em um relatório final, sempre visando as diversidades dos sujeitos que compõem a turma.

Inovar na forma de avaliar alunos na sala de aula pode trazer resultados compensadores não só no desempenho dos estudantes, mas também no que se refere à escola, que, empenhada em inovar, destaca-se dos demais institutos de ensino e aprofunda a formação de cada um de seus discentes.

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